Determinados "católicos" tradicionalistas têm externado na Internet acerbas críticas ao episcopado, à CNBB, até com palavras impudicas e odiosas, sem nenhum respeito aos nossos amantíssimos bispos, compelindo as autoridades eclesiásticas a que destranquem as igrejas para as missas, por fás ou por nefas!   

Em primeiro lugar, não se abrem os templos em virtude de determinação jurídica das autoridades civis; notórias as razões sanitárias! Por outro lado, certos tradicionalistas, sede-vacantistas na prática, sempre menoscabaram o que denominam de "missa nova", ou seja, a forma romana ordinária. Alguns desses "católicos", no paroxismo de sua bazófia, chegam mesmo a vociferar que o rito ordinário é inválido.

E agora vêm esses irmãos pleiteando "missa já"? Nem sequer lobrigam eles o perigo iminente de contágio do Covid-19? Ora, por que n&a tilde;o dizem a "missa de sempre", em latim (forma extraordinária), nas suas casas, nos seus prédios, com seus presbíteros superleais ao saudosismo teológico e, alguns, desgraçadamente, bem pouco leiais ao papa Francisco? Integram os tradicionalistas grupo diminuto, embora um tanto quanto barulhento; decerto não necessitam de grandes espaços para as celebrações.   

Os sucessores dos apóstolos, no Brasil, agem corretamente, ao suspender os cultos públicos, pedindo um pouco de paciência ao povo de Deus. Comportam-se como autênticos pais de família, que zelam e velam pelos filhos. Os católicos, de um modo geral, compreendem a gravidade do momento e, piedosamente, assistem à missa de casa, pela televisão. Demais, conforme preceitua o código canônico, no cânon 920, parágrafo primeiro, "todo fiel, depois da primeira comunhão, está obrigado a comungar ao menos uma vez por ano."

Friso: uma vez por ano! Ora, estamos em quarentena há doi s meses apenas. Calma, irmãos! Não podemos ser mais realistas que o próprio rei, como diz o adágio. Temos de confiar nas regras da santa madre Igreja.

            No recesso do lar, por ora impedidos de participar da missa nas igrejas, com a recepção do santíssimo sacramento, rezemos o terço todo dia. Supliquemos que Maria santíssima, a padroeira do Brasil, nos socorra neste período tão angustiante. Em suma, confiemos em Deus e em nossos bispos, vigários de Cristo!

Edson Luiz Sampel

Professor da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo (da Arquidiocese de São Paulo)