A Free Template From Joomlashack

RETIRO ESPIRITUAL por Dom Paulo Sérgio Machado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Info SBC Informativo   
Seg, 13 de Abril de 2009 09:53

Permitam-me, queridos padres, apontar algumas atitudes que nos ajudam a nos colocar na escuta da Palavra e a responder à voz do Senhor na graça do Espírito, isto é, a viver com fruto o Retiro.

É, antes de tudo, importante criar uma atmosfera de silêncio, de calma, de recolhimento. É também necessário ter um horário disciplinado de oração. Trata-se de prever um tempo para consagrar àquela intensa oração mental que é o lugar onde a Palavra de Deus - proclamada nas meditações comuns e na Liturgia - nos interpela.

Ainda, em nível de oração, é preciso buscar a disposição do corpo, disposição de reverência e de equilíbrio interior.

Ao iniciar o Retiro é inevitável colocar-se uma pergunta: o que desejo buscar nestes dias de silêncio, de oração, de contemplação?  É a pergunta que retorna cada ano, porque cada Retiro é diferente do precedente. Cada um de nós entra no Retiro com uma determinada biografia, com uma história. Como espero sair? Que objetivos espero alcançar?

O primeiro objetivo, fundamental, deverá ser ‘colocar ordem na própria vida, ordenando-a segundo a vontade de Deus, com escolhas significativas e definitivas'.

O que deverei ‘colocar em ordem'?  O objetivo primário de um retiro é reavivar a busca, a aceitação da vontade de Deus e a reconciliação conseguem mesmo, com o próprio ambiente e com todos aqueles com quem convivemos.

Há um segundo objetivo, conexo com o precedente: o exercício mais intenso de Fé, Esperança e Caridade, sobretudo na oração e na contemplação. Tal objetivo supre a fragmentação do colóquio com o Senhor Jesus que, muitas vezes, infelizmente caracteriza a nossa vida quotidiana, por causa dos muitos compromissos e de tantos imprevistos.

Um terceiro objetivo do Retiro é aquele de deixar emergir algum problema "escondido". Um problema de alguma importância que nos toca afetivamente, emotivamente, como ressentimento e que nos incomoda.

A atmosfera de silêncio, de oração e de recolhimento que desejamos viver não nos dispensa obviamente de ter como fundo o cenário no qual se coloca o nosso quotidiano serviço pastoral. É um cenário no qual se entrelaçam luzes e sombras.  As luzes são irradia das na paróquia pelas pastorais e movimentos, associações e grupos de iniciativas de caridade e de solidariedade. As sombras que às vezes prevalecem sobre as luzes, são constituídas pela indiferença religiosa de tantos, de uma certa secularização, do sentimento de pertença parcial e mínima à comunidade cristã, do crescimento das seitas...

O cenário que brevemente apresentamos suscita freqüentes perguntas a respeito do presente e do futuro da Igreja. Nós, porém, sabemos que a única resposta radical, não episódica, não fragmentária, que o único antídoto é a contemplação do Senhor.

Queremos, pois, seguir a linha proposta pelo Papa na "Novo Millennio Ineunte" e retomada pela CNBB nas suas Diretrizes Pastorais. Agrada-me citar a forte e estupenda expressão de João Paulo II: "Que havemos de fazer? Interrogamo-nos animados de confiante otimismo, embora sem subestimar os problemas. Certamente não nos move a esperança ingênua de que possa haver uma fórmula mágica para os grandes desafios do nosso tempo; não será uma fórmula a salvar-nos, mas uma Pessoa, e a certeza que Ela nos infunde: Eu estarei convosco! Sendo assim, não se trata de inventar um programa novo. O programa já existe: é o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradição viva. Concentra-se, em última análise no próprio Cristo que temos de conhecer, amar, imitar, para nele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste" (NMI, 29) É o programa que procuraremos realizar nestes dias de Retiro.

Convidamos para pregar o nosso Retiro o Bispo-Auxiliar de Brasília, Dom Jésus Rocha e ele, prontamente, atendeu o nosso convite.

Confiamos o nosso Retiro à intercessão da Virgem Maria, que invocamos com o título de Nossa Senhora da Abadia. Ela que nos acolherá em sua casa, em Romaria, de 15 a 18 de setembro. Maria é o mais belo exemplo de uma escuta orante, contemplativa, de uma memória meditativa sobre os acontecimentos da vida do Verbo Encarnado. Nossa Senhora nos ajudará a penetrar nas riquezas e a viver com serenidade, perseverança, coragem e paciência o caminho destes dias.

Nossa Senhora da Abadia rogue por nós!

Ituiutaba, 3 de agosto de 2003

Paulo Sérgio Machado - Bispo Diocesano